A Copa é nossa! E agora?

Texto publicado no jornal Zero Hora de 23.04.2011

Ainda que se possa discutir a conveniência da realização de uma Copa de Mundo no Brasil, o fato é que, de uma forma ou de outra, teremos de estar prontos para recebê-la. Escolhida como sede, Porto Alegre tem uma série de desafios a vencer até o ano de 2014. Dentre eles, a mobilidade urbana talvez seja o mais alarmante.

Preocupados com a construção de uma linha de metrô na cidade, nossos governantes têm se esquecido das linhas e, especialmente, das paradas de ônibus. Que o nosso mobiliário urbano não é lá essas coisas nós já sabemos há tempos. Mas, com o passar dos anos, ao invés de melhorarmos nossa estrutura, pioramos. Não basta que esperemos – muitas vezes quase horas – por um ônibus; devemos esperar de pé e sem informação alguma. Sequer os sítios oficiais na internet trazem informações precisas. As paradas de ônibus que antes, ainda que em função da estrutura dos vandalizados espaços publicitários, protegiam da chuva e do vento, no precário padrão atual, nem mais para isto servem. O problema, porém, não termina por aqui: falta qualquer indicação das linhas, seus itinerários e suas freqüências, e não há mapa da região ou referência ao nome dado à parada. Como esperar que um turista (ou mesmo um morador desabituado a utilizar serviço) encontre o transporte adequado ao estádio ou ao museu?

A experiência estrangeira, e também de outras cidades brasileiras, aponta algumas soluções. Quem vai a Curitiba, Paris, Buenos Aires ou Dublin (os exemplos são meramente aleatórios), mesmo sem falar a língua do local, pode atravessar a cidade de ônibus, sem percalços. Mesmo Porto Alegre já nos demonstrou que é possível informar e acomodar sem muito gasto. Iniciativas como a adoção de praças pela iniciativa privada poderiam ser transpostas às paradas. O incentivo à criação artística, a partir de instalações ou intervenções urbanas, o fomento a programas como o Estante Pública, ou mesmo a instituição de paradas temáticas podem servir para melhorar nosso equipamento urbano.

O vandalismo não justifica a inércia e o descaso com o cidadão, ainda mais para quem pretende ser pólo turístico do Mercosul. O Poder Público deve implementar uma verdadeira política pública de mobiliário urbano, para que nossa cidadania seja respeitada e o potencial da cidade possa ser explorado por nós e pelos que virão nos visitar.

Rafael Sirangelo Belmonte de Abreu, coordenador discente do Núcleo de Extensão em Direito, Economia e Políticas Públicas da UFRGS.

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